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Produção & Engenharia

"Onde está o item?" — 20 minutos por requisição procurando no almoxarifado

06 de jul. de 2026 · 6 min de leitura · Equipe ArkhiX

O saldo diz que tem oito unidades. O almoxarife sabe que estão "na prateleira do fundo, perto do óleo". Quem cobre as férias dele não sabe. A máquina espera.

Segunda-feira, 6h50, almoxarifado de uma fábrica de papel. O almoxarife titular está de férias. O rapaz que cobre entra com a requisição do mecânico na mão: uma válvula solenoide, código 4471. O sistema diz que há oito em estoque. Não diz onde. O almoxarifado tem 14 estantes, quatro contêineres externos e um mezanino que ninguém gosta de subir.

Ele começa pelo lugar mais provável. Depois pelo segundo. Liga para o titular, que atende do litoral: “tá na prateleira do fundo, do lado do óleo, numa caixa azul”. A caixa azul tem outra coisa. Aos 7h15 a válvula aparece, num contêiner externo, atrás de correias. O mecânico já foi embora para outra chamada e vai voltar depois do café.

A máquina de papel ficou 50 minutos parada esperando uma peça que estava a 40 metros de distância.

O que isso custa de verdade

Procurar peça é trabalho que ninguém mede, porque não aparece em indicador nenhum. Aparece, invisível, dentro do MTTR.

Num cenário ilustrativo: 25 requisições por dia, 12 minutos médios de procura por requisição. São cinco horas por dia de gente andando pelo almoxarifado. Por mês, mais de 100 horas de almoxarife e de mecânico esperando, sem contar a máquina parada.

Há um segundo custo, mais silencioso: quando ninguém acha o item, alguém compra de novo. Aparecem dois, três saldos do mesmo rolamento em locais diferentes, e o inventário anual encontra peças que “não existiam”. Capital parado em estoque que o sistema não sabe que tem.

Por que acontece

O endereço da peça mora na cabeça do almoxarife. Foi ele que arrumou o almoxarifado do jeito que fazia sentido para ele. Funciona enquanto ele está lá. Nas férias, no atestado, no dia em que ele pede demissão, o almoxarifado vira um depósito de caixas.

O cadastro de itens tem código, descrição e saldo, mas não tem endereço, ou tem um campo de texto livre (“estante 3”) que ninguém atualiza quando a peça muda de lugar. Não existe um mapa: rua, estante, prateleira, bin. E como o layout do almoxarifado nunca foi desenhado, também não existe um jeito de mostrar ao substituto onde fica cada coisa.

O mesmo vale para a fábrica inteira: perguntar “onde fica o painel elétrico da linha 3” ou “qual o caminho até o compressor 2” para um técnico novo ou um terceirizado é um problema idêntico, em escala maior.

O que fazer a partir de segunda-feira

  1. Endereço para tudo. Defina uma nomenclatura simples (rua, estante, prateleira, posição) e etiquete as estantes. Um endereço feio e consistente vale mais que um bonito e parcial.
  2. Endereço no cadastro, não na cabeça. Cada item ganha o campo de endereço. Mudou de lugar, muda o cadastro na hora, não no fim do dia.
  3. Comece pela curva A e pelas peças críticas de máquina. Não tente endereçar 4 mil itens numa semana; endereçar os 300 que mais saem já resolve a maior parte das buscas.
  4. Desenhe o mapa do almoxarifado numa folha A3, com as ruas e estantes, e pendure na entrada. Substituto lê o mapa, não liga para o litoral.
  5. Meça o tempo de atendimento da requisição, do pedido à entrega. É o indicador que vai mostrar se a arrumação funcionou.
  6. Faça inventário rotativo por endereço, uma rua por semana, e não o inventário anual de sofrimento coletivo.

Como fica no ArkhiX

Na solução Mapas & Layouts, o almoxarifado deixa de ser um texto e vira um desenho: o Mapa do almox · ruas/bins mostra estante por estante, com os itens posicionados. O Localizador de item responde à pergunta do título: digita o código ou lê o QR, e o mapa acende onde a peça está e o caminho até ela. O substituto do almoxarife resolve a requisição sem telefonar para ninguém.

O mesmo motor desenha o Layout fabril, com ativos, painéis e rotas, e o Modo TV deixa o mapa numa tela na entrada do setor, para o técnico novo ou a equipe terceirizada se orientar. A Galeria por tipo organiza plantas, mapas e layouts por unidade e por setor, todos ligados ao mesmo cadastro de locais e ativos que a manutenção usa.

Do lado do Almoxarifado, o endereço faz parte de Itens & saldo. Na Requisição QR + crachá, o mecânico lê o QR da peça e passa o crachá, e a baixa acontece ali, com endereço, hora e quem retirou. Quando o saldo cruza o ponto de ressuprimento, a Reposição → Compras gera a solicitação sem ninguém digitar. E o Inventário · ABC roda por endereço, rua por rua, com a curva ABC dizendo onde contar primeiro.

Checklist

  • Todo item de curva A tem endereço registrado no cadastro?
  • Um substituto consegue atender uma requisição sem ligar para o titular?
  • Existe um mapa físico ou digital do almoxarifado na entrada?
  • Você mede o tempo entre a requisição e a entrega da peça?
  • O inventário é rotativo por endereço, ou anual e sofrido?
  • O layout fabril está desenhado e acessível para quem chega de fora?

Peça a alguém que não seja o almoxarife para encontrar cinco itens de curva A e cronometre. Se levar mais do que uns minutos, vale ver como o Localizador de item funciona no seu almoxarifado.

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