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Produção & Engenharia

OEE que a diretoria não acredita: o número nasce no apontamento, não no relatório

18 de jul. de 2026 · 6 min de leitura · Equipe ArkhiX

O relatório diz OEE de 78% na linha 2. O diretor pergunta por que não entregamos o mês. O número foi montado na planilha, de memória, com a velocidade nominal errada.

Quem resolve esta dor

Quinta-feira, 17h, reunião mensal de uma fábrica de tintas. O gerente de produção apresenta o OEE da linha 2 de envase: 78%. O diretor olha o slide, olha o faturamento, e faz a pergunta que ninguém quer ouvir: “Se a linha está a 78%, por que a gente não entregou o mês?”. O gerente responde que houve “muita troca de produto”. O diretor pergunta quanto. Ninguém sabe.

O número de 78% nasceu assim: no fim de cada turno, o operador anota na folha “8h rodando, 30 min de parada para limpeza”. As paradas de dois, três, cinco minutos para desentupir o bico de envase, ajustar a rotuladora, esperar lata, não entram: são “coisa pequena”. A velocidade nominal da linha, cadastrada na planilha em 2021, é 60 latas por minuto. Desde que mudaram a tampa, a linha roda a 48. O refugo é lançado no fim do lote, junto, sem hora.

A estagiária consolida três planilhas na sexta. O OEE que sai dali é uma opinião com duas casas decimais.

O que isso custa de verdade

Um OEE errado é pior que nenhum, porque decide coisas. Como ilustração: com 78% no papel, a diretoria concluiu que a linha 2 estava perto do limite e começou a orçar uma linha nova, R$ 1,8 milhão. O OEE real, medido durante duas semanas com apontamento na hora, ficou em 54%. A diferença estava em quarenta microparadas por turno, que somavam 90 minutos, e numa velocidade real 20% abaixo da nominal. Nenhuma das duas coisas precisava de linha nova. Precisava de um bico de envase redesenhado e de um ajuste de tampa.

Enquanto o número é uma opinião, a fábrica investe onde não dói e ignora onde dói.

Por que acontece

O apontamento é feito de memória, no fim do turno, por quem passou oito horas resolvendo problema. Ninguém lembra de quarenta paradas de dois minutos. A velocidade nominal foi cadastrada uma vez e nunca revisada, então a perda de desempenho não existe no cálculo. O refugo entra sem hora, então não dá para ligar a perda de qualidade à parada que a causou.

O PCP planeja num sistema, o chão de fábrica aponta em papel, e o cálculo é feito num terceiro lugar. Três cadastros de produto, três nomes para a mesma linha. Os códigos de parada são livres, então “limpeza”, “limpeza CIP” e “lavagem” são três causas diferentes no gráfico. E o operador não vê o OEE do turno dele, então apontar bem não muda nada para ele.

O que fazer a partir de segunda-feira

  1. Defina os três fatores com produção e manutenção juntas. O que é parada planejada, o que é perda de disponibilidade, o que é perda de desempenho, o que é qualidade. Uma folha, assinada pelos dois gerentes.
  2. Meça a velocidade nominal real, por produto. Cronômetro, cem unidades, três vezes. Atualize o cadastro. A perda de desempenho passa a existir.
  3. Apontamento na hora, na máquina. Uma folha ao lado do painel, com hora de início e fim de cada parada. Parada de dois minutos é parada.
  4. Conte as microparadas por duas semanas. Só a contagem, com o motivo em uma palavra. O resultado costuma surpreender mais que qualquer relatório.
  5. OEE por turno, no quadro da linha, no dia seguinte. O operador que apontou vê o número que apontou.
  6. Reunião diária de dez minutos sobre as três maiores perdas de ontem. Não sobre o OEE. Sobre as perdas. O OEE vem atrás.

Como fica no ArkhiX

No módulo Produção, o PCP · Planejamento e o MES · Chão de fábrica trabalham no mesmo cadastro: a mesma linha, o mesmo produto, a mesma velocidade nominal por item. O operador aponta no terminal, com o crachá, a produção e cada parada na hora em que acontece, com código de parada de uma lista curta e padronizada. A microparada de dois minutos entra com a mesma facilidade que a parada de uma hora: toca, escolhe o código, volta a trabalhar.

O OEE & Telemetria calcula a partir desse apontamento, por linha e por turno, sem planilha no meio. Onde a máquina tem contador ou CLP, a telemetria calcula OEE e conta unidades e paradas sozinha; o operador só confirma o motivo. O refugo entra com hora, ligado à ordem de produção. O Andon mostra a linha 2 em tempo real, e o operador vê o OEE do turno dele antes de ir embora.

Quando a parada é de manutenção, a parada de máquina abre O.S. no ArkhiManus, com o mesmo registro. Produção e manutenção discutem uma parada, não duas versões dela. E quando o diretor perguntar por que não entregou o mês, a resposta é uma lista de perdas com hora, código e duração.

Checklist

  • O apontamento da sua linha é feito na hora ou no fim do turno?
  • As paradas de menos de cinco minutos entram no OEE?
  • A velocidade nominal cadastrada é a velocidade real de hoje?
  • Produção, qualidade e manutenção usam o mesmo cadastro de linha e produto?
  • O operador vê o OEE do turno dele?
  • Você consegue listar as três maiores perdas de ontem, com hora e duração?

Se o OEE da sua fábrica é montado na planilha da sexta, a diretoria tem razão em não acreditar. Vale ver como fica quando o número nasce no terminal, na sua linha, no turno de hoje.

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