Gestão & Governança
Ex-funcionário com acesso ativo: perfis, permissões e 2FA na fábrica
13 de abr. de 2026 · 6 min de leitura · Equipe ArkhiX
O supervisor de produção foi desligado numa sexta. Na terça seguinte, alguém entrou com o login dele e aprovou uma requisição de estoque. Ninguém sabe quem. A senha estava colada no monitor.
Quem resolve esta dor
Sexta, 17h, fábrica de embalagens plásticas. O supervisor de produção do turno B é desligado. RH faz o processo, portaria recolhe o crachá, T.I. recebe um e-mail para “desativar os acessos”. O e-mail chega às 17h40 numa sexta. O analista já foi embora.
Terça, 10h, o almoxarifado recebe uma requisição de estoque aprovada pelo login do supervisor desligado. Trinta rolos de filme. Ninguém sabe quem aprovou. O login dele continuava ativo, e a senha, como a de metade dos supervisores, estava num post-it colado no monitor da sala de produção. Qualquer pessoa do turno poderia ter feito.
O T.I. desativa o login na terça à tarde. Mas ninguém consegue responder à pergunta do gerente: o que mais foi feito com aquele login entre sexta e terça? O sistema não guarda. E o mesmo login era compartilhado por três pessoas do turno “porque só tinha uma licença”.
O que isso custa de verdade
Trinta rolos de filme é o custo visível, e talvez seja só isso. O custo escondido é não saber. Num cenário ilustrativo, uma fábrica com 150 usuários de sistema tem uma parcela de logins compartilhados, outra de ex-funcionários ainda ativos e uma terceira de pessoas com permissão de gerente porque “precisava aprovar uma vez e ninguém tirou”. Nenhuma dessas situações aparece até alguma coisa dar errado.
Quando dá errado, o custo é a investigação sem resposta. Se uma alçada foi burlada, uma O.S. foi apagada ou um documento foi alterado, e o login era compartilhado, não há a quem perguntar. A auditoria externa vê isso como ausência de controle, não como incidente isolado.
E o custo de conformidade: a lei de proteção de dados exige saber quem acessou o quê. Login compartilhado torna isso impossível por definição.
Por que acontece
O desligamento é um processo do RH, o acesso é do T.I., e o crachá é da portaria. Três áreas, três listas, três momentos. O e-mail de sexta à tarde é o elo, e ele quebra.
As permissões são dadas por urgência e nunca revisadas. Alguém precisa aprovar hoje, recebe perfil de gerente, e o perfil fica. Não existe perfil por função: cada pessoa tem um conjunto de permissões montado à mão. Licença é cara, então login é compartilhado. E senha no post-it é o resultado de exigir senha complexa sem oferecer um jeito prático de entrar no chão de fábrica.
O que fazer a partir de segunda-feira
- Liste todos os logins ativos e cruze com a folha de pessoal. Quem não está na folha, desativa hoje.
- Um login por pessoa. Sem exceção. Se falta licença, resolva a licença, não compartilhe o acesso.
- Defina perfis por função, não por pessoa. Supervisor de produção tem este conjunto de permissões. Planejador tem aquele. Quem muda de função muda de perfil.
- Desligamento com checklist único, disparado pelo RH no momento em que decide: acesso, crachá, e-mail, chaves. Antes de a pessoa sair da sala.
- Revise permissões a cada trimestre. Quem tem perfil de gerente sem ser gerente perde. Quem não entrou em 60 dias perde.
- Segundo fator para quem aprova. Quem libera compra, altera alçada ou aprova requisição precisa de mais que uma senha.
Como fica no ArkhiX
Em Acessos & Perfis, quem entra, no quê e até onde é definido por perfil, e o perfil é ligado ao cargo do RH. A pessoa nasce no cadastro uma vez; o desligamento no RH desativa o acesso ao sistema, o crachá na Portaria e o acesso físico no mesmo ato. O acesso físico segue o perfil: sem perfil ativo, a catraca não abre e o login não entra. Não depende de e-mail de sexta à tarde.
O 2FA é exigido por perfil: quem aprova, altera alçada ou mexe em cadastro-raiz confirma a identidade com segundo fator. A sessão única impede que o mesmo login esteja ativo em dois lugares ao mesmo tempo, o que acaba com o compartilhamento na prática. No chão de fábrica, o crachá no terminal identifica a pessoa sem post-it. Mudar Sentinela ou alçada pede confirmação de identidade.
Todo acesso vira registro: quem entrou, de onde, o que fez. A pergunta “o que foi feito com aquele login entre sexta e terça?” tem resposta na trilha de auditoria, com retenção de 5 anos. A contratada entra com perfil próprio, com escopo restrito e validade ligada à documentação, e o auditor externo vê o que precisa pelo Portal de Auditoria, sem receber login de gerente.
Checklist
- Todos os logins ativos correspondem a pessoas na folha ou contratadas em dia
- Não existe login compartilhado na fábrica
- As permissões são definidas por perfil de função, não por pessoa
- O desligamento desativa acesso, crachá e sistema no mesmo dia
- Quem aprova compra ou requisição usa segundo fator
- Consigo responder “o que este usuário fez na semana passada?” em minutos
Se o post-it com a senha do supervisor ainda está colado num monitor da sua fábrica, vale ver como perfis, desligamento e trilha ficam com os seus usuários e os seus cargos.
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