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Gestão & Governança

O ativo imobilizado que só existe na contabilidade: inventário com plaqueta e QR

24 de jun. de 2026 · 6 min de leitura · Equipe ArkhiX

O livro do imobilizado lista 1.840 itens. O inventário físico encontrou 1.390. Entre os que faltam há um torno vendido em 2021 e um compressor que está na filial, mas ninguém avisou.

Quem resolve esta dor

Sexta-feira, 15h, sala da controladoria de uma metalúrgica com duas unidades. A auditoria externa pediu a conciliação do ativo imobilizado. O livro contábil lista 1.840 itens, entre máquinas, ferramentas, móveis e equipamentos de informática. A última contagem física foi há quatro anos, feita por dois estagiários com prancheta, e ninguém sabe onde foi parar a planilha.

O controller pede ajuda ao gerente de manutenção, que tem o cadastro de ativos do sistema de manutenção, com 620 máquinas. As duas listas usam códigos e descrições diferentes para a mesma máquina. Um torno CNC aparece na contabilidade como “TORNO CNC ROMI 2018”, na manutenção como “TN-07” e, no chão de fábrica, com uma plaqueta de patrimônio de 2009 de uma máquina que já foi sucateada.

A conciliação vai levar seis semanas. A auditoria dá três.

O que isso custa de verdade

O custo mais visível é o trabalho da conciliação: semanas de gente da controladoria e da manutenção fazendo o que uma contagem organizada faria em dias. Num cenário ilustrativo, 300 horas de pessoal qualificado, somadas ao risco de ressalva no parecer da auditoria.

O custo escondido está nos números errados. O torno vendido em 2021 continua depreciando no livro; o compressor transferido para a filial está depreciando no centro de custo errado; a ferramenta que foi sucateada continua como ativo. Depreciação errada é custo de produto errado e imposto errado, para cima ou para baixo.

E quando a diretoria pergunta “quanto vale o parque de máquinas da unidade 2?”, a resposta é uma estimativa.

Por que acontece

Existem dois cadastros para a mesma máquina, e nenhum dos dois é o dono da informação. A contabilidade registra o ativo quando a nota fiscal chega; a manutenção cadastra quando a máquina começa a dar trabalho. Ninguém avisa o outro quando a máquina muda de setor, vai para a filial, é vendida ou vira sucata.

A plaqueta física é um número que não abre nada. Inventário, nessa condição, é ler plaqueta, anotar no papel, transcrever, conciliar com o livro: quatro oportunidades de erro por item.

E o item que nasce no almoxarifado (uma bomba de reserva comprada como estoque, que depois é instalada e vira ativo) não faz essa passagem em sistema algum. Fica como estoque para sempre, ou some.

O que fazer a partir de segunda-feira

  1. Escolha um cadastro-raiz. Uma máquina tem um código, um nome e uma localização, e todos os departamentos usam o mesmo. Comece pela lista da manutenção, que costuma ser a mais próxima da realidade física.
  2. Concilie por amostragem antes do inventário completo: escolha 50 itens do livro, vá até o chão e ache cada um. O percentual de “não encontrado” diz o tamanho do problema.
  3. Plaqueta nova com código legível por máquina (QR ou código de barras) em tudo que for reetiquetado a partir de agora. Plaqueta que só tem número exige planilha.
  4. Fluxo de movimentação: máquina que muda de setor, unidade ou dono precisa de um registro assinado, antes de mover. Transferência sem registro é como o compressor “sumiu”.
  5. Baixa com evidência: venda, sucateamento ou perda geram documento, foto e aprovação. Sem isso o item deprecia para sempre.
  6. Inventário rotativo por setor, um por mês, em vez da contagem heroica a cada quatro anos.

Como fica no ArkhiX

Na solução Gestão Patrimonial, o ativo nasce no cadastro uma única vez e é o mesmo registro que a manutenção usa: o torno TN-07 é o torno TN-07 para o PCM, para a controladoria e para a plaqueta. O Livro do Imobilizado carrega os dados contábeis (valor de aquisição, data, vida útil, centro de custo) sobre o mesmo cadastro onde ficam as O.S. e o plano de preventiva. O ativo recebe plano de manutenção e valor contábil no mesmo lugar.

O Inventário Físico é feito com o celular: lê o QR da plaqueta, o sistema confirma o item, a localização esperada e a encontrada, e marca a divergência na hora. Sem prancheta, sem transcrição. Item que não foi lido em nenhum setor aparece na lista de “não localizado” ao final da contagem, com o último local conhecido.

Transferências & Baixas registra a mudança de setor ou de unidade com aprovação e data, e a baixa por venda ou sucateamento com o documento anexado, encerrando a depreciação no dia certo. A Depreciação Consolidada calcula por unidade, centro de custo e categoria, sobre um livro que reflete o que está no chão. Quando um item de estoque vira ativo imobilizado (a bomba reserva que foi instalada), a passagem é registrada, e o item sai do almoxarifado e entra no livro sem sumir no caminho.

Checklist

  • Contabilidade e manutenção usam o mesmo código para a mesma máquina?
  • O último inventário físico completo tem menos de dois anos?
  • As plaquetas são legíveis por máquina (QR ou código de barras)?
  • Transferência entre setores ou unidades gera registro antes de mover?
  • Baixa de ativo tem documento, foto e aprovação?
  • Item de estoque que vira ativo faz essa passagem em sistema?
  • A depreciação é calculada sobre o que existe fisicamente?

Escolha 20 itens do livro do imobilizado ao acaso e tente encontrá-los na fábrica hoje. Se sobrar algum, vale ver como a Gestão Patrimonial fecha o livro com o chão na sua empresa.

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