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Gestão & Governança

Frota: a preventiva que deveria ser por quilômetro, não por calendário

15 de jun. de 2026 · 6 min de leitura · Equipe ArkhiX

A empilhadeira que roda três turnos e a que roda um têm o mesmo plano: revisão a cada 90 dias. Uma quebra antes da revisão. A outra é revisada sem precisar. As duas custam caro.

Quem resolve esta dor

Terça-feira, 13h30, doca de expedição de uma fábrica de bebidas. A empilhadeira EP-04, que trabalha três turnos carregando caminhão, para com o motor de tração superaquecido. Está a 40 dias da última revisão de 90 dias, então “estava em dia”. O horímetro marca 2.100 horas desde a última troca de óleo hidráulico, quando o manual pede 1.000.

No mesmo pátio, a EP-11, que faz meio turno levando pallet vazio para o depósito, foi revisada na semana passada, no prazo de 90 dias. Rodou 180 horas desde a revisão anterior. Trocaram óleo, filtros, verificaram tudo. Não precisava de nada.

A frota tem 14 empilhadeiras, 3 caminhões e 2 rebocadores, e todos seguem o mesmo calendário. A EP-04 fica dois dias parada esperando a peça. A expedição aluga uma máquina.

O que isso custa de verdade

O custo da EP-04 é o de uma corretiva pesada: motor de tração, dois dias de máquina parada, aluguel de emergência. Num cenário ilustrativo, uma manutenção que custaria R$ 1.500 numa troca de óleo programada vira R$ 12 mil entre peça, mão de obra e aluguel.

O custo da EP-11 é o inverso e invisível: óleo, filtros e horas de mecânico gastos numa máquina que não usou. Multiplique pelas máquinas de uso leve da frota, quatro vezes por ano, e é dinheiro jogado no chão em nome de “estar em dia”.

E há o custo que ninguém calcula: quanto custa, por hora trabalhada, cada máquina da frota? Combustível ou energia, pneus, manutenção, aluguel de reserva. Sem esse número, a decisão de trocar uma empilhadeira velha por uma nova é feita no sentimento.

Por que acontece

Veículo não é tratado como ativo com medidor. É tratado como item de calendário: revisão trimestral, porque trimestral é fácil de lembrar. O horímetro existe no painel, mas ninguém anota, e quando anota, fica numa planilha que não dispara nada.

O abastecimento fica no caderno do frentista ou no cartão da rede, os pneus na cabeça do borracheiro, as multas e o licenciamento no administrativo. Quatro fontes, nenhuma ligada à máquina. Perguntar “quanto essa empilhadeira custou no ano” exige uma tarde de pesquisa.

O checklist de saída do operador, que deveria pegar o vazamento antes de virar quebra, é uma folha que ele assina sem olhar, porque assinou a mesma folha ontem e anteontem e nunca aconteceu nada.

O que fazer a partir de segunda-feira

  1. Leia o horímetro de cada máquina toda segunda-feira, e registre. Duas semanas de leituras já mostram quem roda muito e quem roda pouco.
  2. Reclassifique o plano por uso: máquinas de uso intenso passam a ter preventiva por hora (o manual do fabricante diz quantas); máquinas de uso leve ficam por tempo, mas com o intervalo que o uso real justifica.
  3. Checklist de saída com três itens que importam (vazamento, pneu, freio) e um campo para o operador escrever o que viu. Menos itens, mais verdade.
  4. Registre o abastecimento por máquina, com horímetro no momento. Consumo por hora que sobe é o primeiro sinal de problema mecânico.
  5. Monte o custo por hora de cada máquina: manutenção, combustível ou energia, pneus, aluguel de reserva quando quebra. Compare as máquinas entre si.
  6. Decida sobre a frota com esse número: a máquina que custa o dobro por hora da irmã é candidata a troca, e agora você tem o argumento.

Como fica no ArkhiX

Na solução Frotas, cada máquina é um ativo com medidor em Veículos & medidores: horímetro para empilhadeira e rebocador, odômetro para caminhão, e o histórico das leituras. O operador registra a leitura e o checklist de saída no Terminal de apontamento, com o crachá, em segundos; o vazamento que ele viu vira O.S. na hora, não no fim do turno.

A Preventiva por km/h/tempo faz o que o calendário não faz: a EP-04, com 1.000 horas desde a última troca de óleo, entra na programação por hora; a EP-11 entra por tempo, com intervalo compatível com o uso. O uso dispara a preventiva, e o veículo entra na programação da manutenção junto com as máquinas da fábrica, na mesma fila do PCM.

A O.S. · Telemetria IoT fecha o ciclo em duas pontas: a O.S. de frota tem peça, hora e histórico como qualquer outra, e a telemetria, quando existe, lê o horímetro sozinha, sem depender de anotação. Abastecimento, pneus e manutenção ficam ligados à mesma máquina, e o custo por hora sai do registro, não de uma tarde de pesquisa.

Checklist

  • O horímetro ou odômetro de cada máquina é lido e registrado toda semana?
  • As máquinas de uso intenso têm preventiva por hora ou km, não por calendário?
  • O checklist de saída é curto e gera ação quando algo é reportado?
  • O abastecimento é registrado por máquina, com o medidor no momento?
  • Você sabe o custo por hora de cada máquina da frota?
  • A frota entra na mesma programação de manutenção que as máquinas da fábrica?

Leia o horímetro das suas duas empilhadeiras mais usadas e compare com a data da última revisão. Se a conta não fechar com o manual, vale ver como a Frotas programa por uso na sua operação.

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