Manutenção
Histórico de paradas: por que ele existe, ninguém consulta e a mesma falha volta
27 de jul. de 2026 · 6 min de leitura · Equipe ArkhiX
No gráfico da reunião mensal, "Outros" responde por 58% das paradas da extrusora. Ninguém sabe o que é "Outros". E a mesma falha da semana passada volta na próxima.
Quem resolve esta dor
Segunda-feira, 9h, reunião mensal de resultados numa fábrica de cabos elétricos. O gerente de produção projeta o gráfico de paradas da extrusora de PVC da linha 4. “Outros”: 58% do tempo parado. “Mecânica”: 20%. “Elétrica”: 12%. “Falta de material”: 10%. O diretor pergunta o que é “Outros”. Ninguém sabe. O supervisor arrisca: “Coisa pequena, ajuste, troca de bobina, essas coisas”.
Na semana anterior, a extrusora parou três vezes pela mesma causa: o puxador escorregando por desgaste da correia. O operador do primeiro turno marcou “Outros”, porque é o primeiro da lista. O do segundo marcou “Mecânica”, para a manutenção ir olhar. O do terceiro marcou “Operação”, porque o supervisor mandou não jogar parada para a manutenção sem O.S. aberta.
Três paradas, três códigos, uma causa. No histórico, elas não têm nada em comum. Na semana seguinte, a correia estoura de vez.
O que isso custa de verdade
Um histórico de paradas com “Outros” em 58% não é histórico. É um relógio que só diz quanto tempo parou, não por quê. Toda a análise que vem depois, Pareto, plano de ação, meta de OEE, é feita sobre 42% da informação.
Como ilustração: a correia do puxador custa R$ 400. As três paradas curtas custaram uma hora de linha cada, a R$ 900, R$ 2.700. A parada final, com a correia rompida enrolando no eixo, custou seis horas e um mancal: R$ 6.500. Perto de R$ 9.000 numa falha que, com três registros iguais, teria virado uma O.S. de troca planejada na primeira semana.
E existe o custo da reunião: uma hora por mês de gerente, diretor e supervisores discutindo o que “Outros” pode ser.
Por que acontece
A lista de códigos de parada foi feita ou com cinco itens, que não dizem nada, ou com oitenta, que ninguém lê. Em ambos os casos, o operador escolhe o mais rápido. O código é marcado depois, no fim do turno, de memória. E o motivo que vai para o sistema é o motivo conveniente, não o real: produção marca “manutenção” para não ficar com a parada; manutenção marca “operação” para não ficar com a O.S.
O registro de paradas da produção e o histórico de O.S. da manutenção vivem em bases diferentes, com nomes de máquina diferentes. A mesma parada existe duas vezes, com duas causas. E nenhuma delas está ligada ao RG do ativo, então o histórico da extrusora não é consultável. Ele existe. Só não responde a nenhuma pergunta.
O que fazer a partir de segunda-feira
- Refaça a lista de códigos com os operadores. Entre 15 e 25 itens, em três níveis: grupo (mecânica, elétrica, processo, material, operação), causa e detalhe. Quem vai usar a lista ajuda a escrever.
- “Outros” tem teto de 5%. Todo mês, o que caiu em “Outros” é aberto e vira código novo ou é reclassificado. Em três meses, “Outros” desaparece.
- Código na hora, na máquina. Uma folha na máquina com a lista, marcada quando a parada acontece, não no fim do turno.
- Separe “quem parou” de “por que parou”. O código diz a causa. A responsabilidade se discute depois, com o dado na mão, sem culpa no registro.
- Pareto por ativo e por turno, no quadro da linha. Todo mês. Quem aponta vê o resultado do que apontou.
- As três maiores causas viram ação com dono e prazo. Se a correia do puxador aparece três vezes, alguém troca a correia. E o histórico registra que trocou.
Como fica no ArkhiX
No módulo Produção, o operador aponta a parada no terminal do MES · Chão de fábrica, com o crachá, no momento em que ela acontece. O código vem da lista padronizada, em níveis, e o ativo é o da plaqueta. O Andon avisa quem precisa saber. A parada de máquina abre O.S. quando o código é de manutenção, e a O.S. no ArkhiManus carrega o mesmo registro: mesma hora, mesmo ativo, mesmo código. Uma parada, um registro, dois módulos olhando para ele.
O histórico fica ligado ao ativo. Quem abre a extrusora da linha 4 no ArkhiManus vê as paradas apontadas pela produção e as O.S. da manutenção na mesma linha do tempo. As três paradas do puxador aparecem juntas, com o mesmo código, no mesmo componente.
Os Relatórios entregam o Pareto por ativo, por turno e por código, com os dias e horários. O Dashboard Gerencial mostra a evolução de “Outros” mês a mês, até ele sumir. E o OEE & Telemetria da produção calcula a disponibilidade a partir das mesmas paradas, então a manutenção e a produção discutem o mesmo número, e não dois relatórios que não batem.
Checklist
- Quanto do tempo de parada da sua planta está em “Outros” ou “Diversos”?
- A lista de códigos foi feita com quem aponta?
- O código é marcado na hora ou no fim do turno?
- Produção e manutenção registram a mesma parada uma vez ou duas?
- Você consegue ver o Pareto de paradas de um ativo por turno?
- As três maiores causas do mês passado viraram ação com dono?
Se o histórico de paradas da sua fábrica existe mas ninguém consulta, ele está guardando as respostas em “Outros”. Vale ver como fica quando o apontamento e a O.S. contam a mesma história, nas suas linhas.
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